Rodrigo Bolivia
Convidados especiais, Outras viagens

Viajar é experimentar e aprender

Há muitas motivações que nos levam a viajar, assim como existem muitos tipos de viagem. Nesse universo de possibilidades e de demandas, aprendi que a importância transformadora de cada valiosa oportunidade de embargue rumo a algum lugar recai no fato de quão aberto estamos naquele momento.

Assim como um livro ou um filme, uma viagem pode ampliar nossos horizontes e perspectivas, ou não, dependendo de nossa flexibilidade e sensibilidade. Não se nasce um(a) grande viajante, torna-se um(a). Aos poucos aprendemos a apreciar um tempero novo ou uma comida desconhecida. Não costuma ser de primeira que aceitamos/pedimos a ajuda de pessoas que acabamos de conhecer, mas experiências inusitadas, como estar em um lugar e não conseguir compreender o idioma e tampouco ser compreendido pelos locais, o leva a ter de confiar, a ter confiança e a estabelecer novos laços.

Capetown

Table Montain, Cape Town, South Africa, 2006

Aprendemos a ler honestidade nos olhos dos outros e a olhar o outro com mais honestidade perante nossas fraquezas, longe de nossas zonas de conforto. No desenrolar dessas aventuras que aprendemos a desfrutar do frio, a se encantar pelas cores intensas do outono, da alegria da primavera e a se desapegar da ideia de felicidade plena somente no verão, pois um ano, com seus doze meses, nos oferece um universo de possibilidades.

Não perca seu dinheiro e seu tempo se sua ideia de viajar é a de estar em outro lugar e só comer em redes internacionais de fast food, ficar somente dentro dos resorts e/ou unicamente sair do hotel nos passeios das agências. Um programa de TV ou uma reportagem já saciaria sua curiosidade. Selfies e check-ins explicitando ao mundo que passamos por algum lugar não é evidência de termos aprendido com o que aquele lugar tem a oferecer. Somos marcados por uma viagem pelas cicatrizes culturais que ela nos deixa.

Outro efeito colateral de viajar é aguçar o espírito crítico. Ficamos a cada desembarque ao mesmo tempo mais tolerantes com o diferente ao passo que intolerantes com certas atitudes e práticas. Aprendemos a não superdimensionar nossos problemas, do dia a dia ou do país, e a não exclusivamente supervalorizar o (que vem do) exterior. Aprendemos que o mundo é simplesmente extraordinário, rico em singularidades. Quanto mais trocas são feitas, mais aprendemos com outras sociedades e avançamos no debate, ampliando a discussão e a elevando para outro patamar.

Enfim, viajar é experimentar e aprender. Viaje!

TeatroManaus

Teatro Amazonas, Manaus, 2010

E convide a Rachel Filipov, prima etérea, irmã espiritual.

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