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Oro Verde, Argentina 2013. Meu primeiro intercâmbio!
Dicas, Minhas histórias

10 dicas que podem mudar seus planos de intercâmbio

Estudar ou trabalhar no exterior é, sem dúvida, uma ótima idéia. Se você pode investir um dinheirinho (ou um dinheirão) para aprender outro idioma, vale a pena. Mas o que é preciso saber antes de escolher para onde ir, quando e como?

Ao longo dos últimos 13 anos, morei em sete países diferentes, fiz alguns intercâmbios* e conheci muitos estudantes. Aqui estão as dicas que fizeram falta para mim no passado:

 

  1. Evite cidades ou países onde fala-se muitos idiomas ou dialetos

Uma das grandes vantagens de estudar no exterior é a exposição total àquela sociedade que fala tal idioma. Ter que se virar e escutar as pessoas se comunicando são fundamentais nesse processo. Mas em lugares onde muitas línguas são faladas, essa exposição fica limitada. Por exemplo, na África do Sul há onze idiomas oficiais. Ainda que a maioria da população fale inglês, as pessoas nem sempre se comunicam assim. Quando fiz meu intercambio em Cape Town, fiquei frustrada por quase nunca escutar inglês nas ruas.

Da mesma forma, aprender espanhol em Barcelona pode não ser a melhor opção. Ainda que a cidade seja fantástica, Catalão é o principal idioma da região e isso pode atrapalhar seu aprendizado.

Há muitos outros exemplos, como Suíça, Bélgica, e até mesmo algumas regiões da França e da Itália. Investigue bem antes de tomar uma decisão.

 

  1. Analise o fuso horário

Não menospreze a importância do fuso-horário com relação ao Brasil, sobretudo se você é apegado à família, ou vai deixar um namorado (a) te esperando na sua cidade…

A Austrália e a Nova Zelândia são, obviamente, os exemplos mais extremos nesse caso. Todos os dias da semana, quando você acordar para ir à escola, o pessoal no Brasil estará se preparando pra jantar. Quando você voltar da escola, todo mundo já estará dormindo. Mas e no final de semana? Com tantas coisas legais para fazer, duvido que você vai querer passar o final de semana fechado em casa falando no Skype!

Quando moramos na Austrália, este foi um dos nossos principais desafios.

 

  1. Avalie o estilo da cidade para onde pretende ir

Se você mora em uma cidade relativamente pequena no Brasil, não tenho certeza de que sair de casa pela primeira vez e ir estudar em Nova Iorque, por exemplo, seja uma boa idéia… Essa enorme diferença no estilo de vida pode tomar muito do seu tempo de adaptação e te causar um bloqueio. Da mesma forma, se você for paulistano, pode ser que morra de tédio morando no interior da Inglaterra.  Para quem surfa toda semana, passar seis meses onde não há praias por perto pode ser difícil demais…

Por outro lado, se experimentar o dia-a-dia de uma cidade grande/ pequena/ sem praia for parte da descoberta que você estiver buscando, atreva-se!

 

  1. Escolha bem a estação do ano

Não menospreze esse “detalhe”! Se você é daqueles que deixa de sair de casa quando está menos de 10 graus Celsius, não invente de ir morar em cidades de clima temperado no inverno! Ainda que os ambientes internos sejam geralmente aquecidos, andar a pé nas ruas será inevitavelmente uma tortura diária para você.

A mesma regra se aplica no verão. Algumas cidades dos Estados Unidos passam de 40 graus Celsius.  Tem certeza de que você quer encarar isso? Cuidado também com as temporadas de chuvas e ciclones.

 

  1. Vai ficar em casa de família? Tem certeza?

Fazer parte de uma outra família por alguns meses pode ser uma experiência fantástica, sobretudo para adolescentes. Conheço pessoas que voltaram para o Brasil com o coração partido por deixar sua “família estrangeira” para traz, e depois de muitos anos, ainda mantém contato com seus “pais e irmãos” importados. Mas antes de fechar um pacote com a agência, certifique-se de que você está pronto para encarar isso. Minhas duas experiências com este estilo de “hospedagem” foram péssimas. Eu não estava em busca de uma experiência familiar em minhas viagens e acho que dei azar com as “mães” que tive. Ter outros adultos, que não tem nada a ver com a minha vida, se sentindo responsáveis por mim, realmente não foi legal. E’ importante dizer que eu já tinha mais de 20 anos nas duas ocasiões…  Para você, isso seria um problema?

 

  1. Evite locais com sotaque muito forte

Se aprender um novo idioma já te parece difícil, imagine tendo que fazer isso onde o sotaque das pessoas não ajuda… Pense bem antes de incluir na sua lista lugares como África do Sul, Irlanda, interior da Austrália, centro dos Estados Unidos e Canadá (para francês).

 

  1. Busque suas comunidades

Se você faz parte de alguma comunidade, seja ela religiosa ou não, recomendo buscar lugares onde haja pessoas como você por lá. Tente se conectar com a sua turma antes mesmo de sair do Brasil. Associações e clubes geralmente acolhem com muita atenção os seus companheiros estrangeiros. Procure Igrejas, Sinagogas, grupos de escoteiros, de artesanato, velejadores, caçadores de Pokémon, seja qual for a sua praia!

 

  1. Cuidado com a faculdade

Se você está pensando em ir para o exterior quando terminar a faculdade, aconselho rever esse plano.  Trancar um semestre (ou um ano), viajar, e depois voltar para o Brasil para terminar seu curso pode facilitar sua vida na hora de encontrar um emprego. Desta forma, você vai conseguir aproveitar ao máximo sua experiência morando fora, sem ter que se preocupar com o que vai acontecer nos próximos meses, quando voltar para o Brasil.

Esta experiência também pode te ajudar a entender o rumo que vai querer dar para sua carreira profissional e, voltar para a faculdade, pode ser fundamental para fazer as necessárias mudanças nos seus planos.

 

  1. Busque congressos ou cursos na sua área durante sua viagem

Por que não aproveitar sua viagem para participar de um congresso ou seminário na sua área? Se seu nível do idioma for, pelo menos, intermediário, por que não fazer um curso profissionalizante? Algumas faculdades promovem cursos noturnos de curta duração. Quando morei no México, fiz um curso fantástico de finanças, em uma das melhores universidades do país, que durou apenas quatro semanas.  Além de dar uma valorizada no seu curriculum, você terá uma oportunidade única de networking internacional, vai aprender sobre coisas interessantes e terá uma experiência diferente. Isso também pode ajudar a convencer seu chefe (ou seu pai) de que essa viagem vale a pena.

 

  1. Cuidado com o orçamento

As primeiras coisas que colocamos no orçamento de um intercâmbio são o custo da escola, da passagem aérea, hospedagem e alimentação, certo?  Mas se você for morar em uma cidade como Atlanta ou Orlando, nos Estados Unidos, terá que acrescentar o aluguel de um carro porque o transporte público não te leva para todos os lados. Mesmo que viva perto da escola, sua experiência será muito limitada se não tiver um carro.

Independentemente da cidade que escolha, pesquise muito e tente detalhar ao máximo seu orçamento. Não deixe de levar um dinheirinho para shows, eventos esportivos, baladinhas, museus, festivais e até mesmo eventos profissionais, como já falamos.

Não gaste todo seu dinheiro com lojas! Acredite, as coisas que você comprar um dia vão acabar. Experimente e descubra! Tudo o que vivenciar ficará para sempre contigo.

 

*Esta foto é do meu primeiro intercâmbio, na Argentina, em 2003.  Esse foi o começo da minha descoberta do mundo.