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Outras viagens

Outras viagens

Demora 7 segundos para criarmos um preconceito baseado na aparência de uma pessoa

A Coca-Cola fez este experimento social para sua campanha do Ramadan de 2015: Colocou para conversar no escuro seis pessoas que não se conheciam. Vale a pena conferir o resultado.

Esta é, sem dúvida, a melhor propaganda que já vi. Faz quase um ano, e não consigo esquecê-la…

Será que um dia vamos entender que etiquetas são para latas, não para pessoas?

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Brasileiros “terroristas” nos Estados Unidos

Terroristas Brasileiros nos Estados UnidosBrasileiros “Terroristas” nos Estados Unidos

Esse vídeo me fez chorar. Desculpem, mas está sem legenda.
Resumindo: Dois brasileiros são agredidos por uma americana descontrolada que pensa que eles são terroristas do Oriente Médio. O pior de tudo é que ela usa o nome de Deus pra justificar a loucura…
Essa mulher se confundiu, atacou o povo errado. Talvez isso nos faça sentir ainda mais ofendidos. Mas imagine o que muçulmanos sofrem todos os dias sendo etiquetados como terroristas?

Quando morava no Brasil, não me lembro nem de ter visto alguém usando véu.  Vivendo fora, conheci muitos muçulmanos e pessoas do Oriente Médio que nem tem religão. Garanto pra vocês, eles são normais. Assim como você e eu, têm sentimentos e não merecem o rótulo de terroristas. O racismo e a ignorância andam de mãos dadas.

De acordo com uma matéria do jornal The Washington Times, apenas 32% da população mundial  (2.2 bilhōes de pessoas) se identificam como Cristãos. Ainda temos 1.6 bilhōes de muçulmanos, 1 bilhão de indus, 500 milhōes de budistas, 400 milhões de pessoas com práticas locais folclóricas ou aborigenas, 14 milhões de judeus, além de outras religōes menores.

Reclamamos das injustiças do mundo porque muitas delas não estão sob nosso controle. Mas tem uma coisa que você pode fazer hoje pra ajudar a transformar esse planeta em um lugar melhor: Não aceite nenhum tipo de preconceito ao seu redor, incluindo piadas de mau gosto e generalizaçōes.

Feliz Natal pra você que faz parte dos 32%!

Por todas as minorías rotuladas e por muitas maiorias discriminadas,

Namaste!

Vídeo por @UHOH NICK .

Leia a matéria do WT aqui .

Casamento
Outras viagens

A entrevista com minha futura empregada doméstica

Logo que nos mudamos para Atlanta, em 2010, passei por uma situação que me fez rever meus conceitos, meu cabelo e meus sapatos…

Estava esperando uma candidata à empregada doméstica chegar em minha casa para uma entrevista.

Meu visual: Croc beige com meia, camisetinha de malha cinza, cueca samba-canção azul marinho, cabelo oleoso, dentes não escovados. Acho que só faltava bobs na cabeça pra conseguir piorar…

Meu carro: Nenhum. O Franck tinha ido trabalhar com nosso único carro que estava imundo há mais de um mês.

A candidata chega.

Visual dela: Sapatilha verde (a cor da estação), blusinha justinha combinando com a sapatilha, calça jeans justinha, cabelo escovadinho com luzes, maquiagem.

O carro dela: Uma BMW preta brilhando.

Conclusão: Eu a contratei, tomei vergonha na cara e aprendi a deixar de lado os esteriótipos.

Confesso que também joguei fora o croc e retoquei minhas luzes. A BMW ainda não tenho, mas a sapatilha verde eu comprei.

PlacaMc
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Comer no Mc Donald’s pode causar câncer. E agora?

Essa semana conheci um projeto muito interessante do Governo da Califórnia: na porta do Mc Donald’s vi uma plaquinha avisando que os produtos vendidos ali contêm químicos nocivos pra saúde humana, podendo causar câncer ou defeitos em fetos.

Só esqueceram de adicionar “bom apetite”. Quem consegue comer gostoso depois dessa?

Agora veja minha situação: Acordei louca de fome no meio da noite, perdida no fuso horário. Vou ao restaurante do hotel, e ele está fechado. Pergunto na recepção se tem algum restaurante que entrega ali de madrugada, e a resposta é não nesse horário. Conclusão: minha única opção de comida por perto era qual? Mc Donald’s 24h, a um minuto caminhando!

Foto tirada na porta do meu hotel. Conveniente demais, né?

Foto tirada na porta do meu hotel. Conveniente demais, né?

Com plaquinha ou sem plaquinha, tive que comer ali mesmo. Mas aquele Mc Fish desceu doendo a consciência… Não pude evitar a culpa.

Por mais que não seja novidade que junk food faça mal pra saúde, garanto que o aviso funcionou pra mim. Se eu tivesse outra opção, não teria comido lá.
Mas minha impressão é que o problema de comer mal nos Estados Unidos vai além da conscientização das pessoas e da disponibilidade 24h. Comer bem custa caro. Enquanto uma rede de fast food vende dois hot-dogs com um refrigerante a vontade (refil) por 1 USD, o Wall Mart (mercado mais barato daqui) vende um abacate por 2.5 USD. Uma bandejinha de carne moída custa 5 USD. Com isso você paga o almoço da sua família toda, incluindo o refrigerante infinito. Não dá pra competir com esses caras!
De qualquer forma, espero que a iniciativa motive as pessoas a comerem produtos mais saudáveis, e também que outros restaurantes fiquem abertos de madrugada pra quando eu acordar com fome.
Vai comer no Mc Donald’s? Bom apetite!

Eu_Prostituta
Minhas histórias, Outras viagens

O dia que eu recebi uma lição de moral por ser prostituta

Em uma manhã de dezembro, chamei o taxi que passava na movimentada avenida de Lisboa. Achava que essa seria uma corrida como qualquer outra e nem imaginava que jamais esqueceria aqueles dez minutos…

Entrei no carro, falei bom dia e para aonde iria. O taxista português imediatamente começou a conversa:

  • És brasileira?
  • Sim, sou brasileira.
  • O que fazes em Lisboa?
  • Hoje estou só passeando, mas estou aqui trabalhando.
  • A trabalhar em Lisboa… Com o que trabalhas?
  • Sou engenheira, mas trabalho com marketing.
  • Esta nunca havia escutado… Então a rapariga é mesmo engenheira? Engenheira de que?
  • Engenheira Agrônoma.
  • Engenheira Agrônoma… Tu sabias que é preciso estudar para ser engenheira?
  • Perdão?
  • Rapariga, eu sei muito bem o que fazes em Lisboa. Não sou policial, não tens que mentir.

Fiquei muda, completamente perdida. Como assim não tem que mentir? O que que a polícia tem a ver com meu trabalho? Por que raios esse cara resolveu puxar conversa?

Então, assim mesmo completamente do nada, ele começou a falar que as jovens brasileiras, como eu, estávamos atrapalhando o país dele. Disse que a maioria das prostitutas de Portugal são brasileiras (o que não é verdade) e que já era hora de pararmos de ir pra lá fazer isso. Sugeriu que deveríamos tentar ir pra Itália porque era fácil de entender o italiano. E blá blá blá…

Depois do seu monólogo, claro que entendi o que estava acontecendo: o português tinha mesmo certeza de que eu era prostituta!

Fazia frio, e eu estava coberta de roupas da cabeça aos pés. Estava sem salto, sem maquiagem,  sem bolsinha e sem nada vermelho. Eu não rebolo quando ando e, ainda por cima, estava com uma mochila nas costas. Ou seja, nenhum outro clichê se aplica.

Percebam que a situação é mesmo grave porque ele chegou à essa conclusão baseado apenas em uma informação: eu sou uma jovem brasileira! Isso já era suficiente para assumir que eu não poderia estar fazendo outra coisa em Lisboa. É o fim do mundo, ou eu é que estou ficando louca?

Infelizmente só senti essa revolta horas depois que saí do taxi… Por alguma razão, naquele momento eu precisava convencê-lo de que eu era mesmo engenheira e meu trabalho era outro. Além de tudo, eu nem morava lá!

Bom, adivinhem o que aconteceu quando eu comecei a me justificar? Comecei a chorar.

Nessa hora o português ficou mudo. Percebeu que foi longe demais e aí  foi ele quem começou a se justificar. Ele até se desculpou.

Saí do taxi, ainda aos prantos, e claro que esse episódio estragou meu dia. Voltei pro hotel e trabalhei até a noite. Antes do jantar, fui ao bar do hotel ler meu livro e tomar um drinque. Eu tinha a sensação de que todos os homens ao meu redor estavam me olhando e poderiam estar pensando que fosse prostituta. Fui embora dali sem mesmo terminar minha bebida, antes que alguém viesse me perguntar “quanto custa o programa?”.

Posso entender que as estatísticas não me ajudam muito: Ano passado, um estudo da Faculdade de Psicologia do Porto entrevistou as profissionais do sexo de Portugal e descobriu que 32% delas são brasileiras.

O perfil padrão é bem parecido com o meu: brancas, maiores de idade, com curso médio ou superior (Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal).

Mas e daí? Isso dá direito ao taxista de me rotular e julgar?

Li em blogs de outras brasileiras morando no exterior que muitas delas já passaram por situações semelhantes na Europa. Isso aconteceu comigo há quase dez anos e pelo visto a tendência não é melhorar.

Preconceito é muito feio, muito errado e muito o fim do mundo! Enquanto morava no Brasil, esse meu mesmo perfil me deixava em uma situação confortável. Mas fico imaginando o que é passar toda a sua vida sendo rotulado e julgado. Você já pensou nisso?

Queria deixar claro que, apesar de ter me ofendido, não quero eu ser errada com as prostitutas! Sem hipocrisia, acho fundamental cada um poder escolher o que quer fazer da própria vida. Essas mulheres tem meu respeito sim. Não gosto nem de imaginar os sufocos que elas passam… Inclusive, aquele mesmo estudo da Faculdade de Psicologia do Porto mostra que quase metade delas sofre de doença mental. Bizarro, né? Mas isso não vem ao caso nesta conversa…

Também quero registrar que não é porque alguns portugueses são preconceituosos conosco, que podemos assumir que todo português é racista. É justamente este o meu ponto: da mesma forma que nem toda brasileira ganha a vida fazendo sexo, está errado afirmar que todo muçulmano é terrorista, todo asiático é tímido, todo nordestino é folgado, todo negro é bandido e etc. A lista de clichês é bem longa, por isso minha dica é: cuidado com o que você fala e pensa. Toda generalização é burra, inclusive essa! (hein?)

Uma das coisas que mais me fascinam nesta vida de viajante é constantemente poder aprender sobre as pessoas e superar meus próprios preconceitos. Fiz amigos asiáticos, negros, europeus, comunistas, conservadores, gays, muçulmanos, judeus, budistas, ateus, extremamente ricos, extremamente pobres, extremamente inteligentes, extremamente simples, gente que foi pra guerra, gente que viajou o mundo e gente que mora em uma cidade perdida no meio do nada. Isso mudou minha forma de ver a vida.

Por um mundo melhor, com menos taxistas achando que sou prostituta, com menos preconceito e mais balinhas*! Namaste!

*Essa história de balinhas eu explico em um outro post

Algumas fontes desse artigo:

Quase metade das prostitutas em Portugal sofre de doença mental

Estudo identifica perfil das prostitutas brasileiras em Portugal

Pesquisador brasileiro está em Portugal para apresentar painel sobre prostituição internacional

Brasileiras em Portugal: prostituição e estigmatização, um relato em primeira pessoa