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Rachel Filipov

Dicas, Minhas histórias, Ser mãe no exterior

Ser mãe no exterior é mais fácil do que no Brasil?

Gravida

Difícil cuidar de filho, né?
Agora imagine isso sem a ajuda da mãe, da sogra, da tia, da cunhada, ou das amigas de infância.
Imagine visitas ao obstetra e ao pediatra em um idioma que não é o seu.
Imagine médicos te falando o oposto do que os médicos do Brasil falam.
Imagine ter que vestir seu bebê para encarar temperaturas abaixo de zero.
Imagine você longe da família com uma gravidez cheia de complicações.
Imagine a culpa de estar privando seus pais e avós de participarem do crescimento de seu bebê.
Pronto, desabafei!
Coloque tudo isso na balança antes de decidir sair do Brasil…

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Curiosidades, Minhas histórias, Outras viagens

Discurso Anti-Trump do Mana

Muitos artistas estão se posicionando nestas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Este foi o discurso anti-Trump do vocalista do Mana, Fher Olvera, no show de ontem aqui em Atlanta:
“Estamos vivendo um momento histórico na vida dos latinos e dos mexicanos neste país. Mana vem tocar nos Estados Unidos há vinte e tantos anos, e temos visto como os latinos e os mexicanos vem crescendo e crescendo, e conseguindo trabalhos com melhores salários e mais respeito. Não para que chegue um “cabrón” e faça as coisas voltarem atrás… Aqui nós não admitimos nem racismo nem violência. Isso era coisa dos alemães nazistas. Aqui se respeita os mexicanos! Esta vez, botem as pessoas em seus lugares. Mostrem sua força. Votem! Viva America Latina, Viva Mexico!”
#latinopower #latinovote

Israel
Curiosidades

O dia do perdão

Acaba de terminar um dos feriados judaicos mais especiais: o dia do perdão, Yom Kippur. Alguns afirmam que esta é a mais importante e sagrada festividade do Judaísmo. É um dia de jejum e reza.

A grande mensagem é usar estes momentos para tomar consciência dos seus erros e pedir perdão.

Independentemente de valores religiosos, todo mundo poderia fazer isso pelo menos uma vez por ano, não? Pedir desculpa nunca faz mal…

Oro Verde, Argentina 2013. Meu primeiro intercâmbio!
Dicas, Minhas histórias

10 dicas que podem mudar seus planos de intercâmbio

Estudar ou trabalhar no exterior é, sem dúvida, uma ótima idéia. Se você pode investir um dinheirinho (ou um dinheirão) para aprender outro idioma, vale a pena. Mas o que é preciso saber antes de escolher para onde ir, quando e como?

Ao longo dos últimos 13 anos, morei em sete países diferentes, fiz alguns intercâmbios* e conheci muitos estudantes. Aqui estão as dicas que fizeram falta para mim no passado:

 

  1. Evite cidades ou países onde fala-se muitos idiomas ou dialetos

Uma das grandes vantagens de estudar no exterior é a exposição total àquela sociedade que fala tal idioma. Ter que se virar e escutar as pessoas se comunicando são fundamentais nesse processo. Mas em lugares onde muitas línguas são faladas, essa exposição fica limitada. Por exemplo, na África do Sul há onze idiomas oficiais. Ainda que a maioria da população fale inglês, as pessoas nem sempre se comunicam assim. Quando fiz meu intercambio em Cape Town, fiquei frustrada por quase nunca escutar inglês nas ruas.

Da mesma forma, aprender espanhol em Barcelona pode não ser a melhor opção. Ainda que a cidade seja fantástica, Catalão é o principal idioma da região e isso pode atrapalhar seu aprendizado.

Há muitos outros exemplos, como Suíça, Bélgica, e até mesmo algumas regiões da França e da Itália. Investigue bem antes de tomar uma decisão.

 

  1. Analise o fuso horário

Não menospreze a importância do fuso-horário com relação ao Brasil, sobretudo se você é apegado à família, ou vai deixar um namorado (a) te esperando na sua cidade…

A Austrália e a Nova Zelândia são, obviamente, os exemplos mais extremos nesse caso. Todos os dias da semana, quando você acordar para ir à escola, o pessoal no Brasil estará se preparando pra jantar. Quando você voltar da escola, todo mundo já estará dormindo. Mas e no final de semana? Com tantas coisas legais para fazer, duvido que você vai querer passar o final de semana fechado em casa falando no Skype!

Quando moramos na Austrália, este foi um dos nossos principais desafios.

 

  1. Avalie o estilo da cidade para onde pretende ir

Se você mora em uma cidade relativamente pequena no Brasil, não tenho certeza de que sair de casa pela primeira vez e ir estudar em Nova Iorque, por exemplo, seja uma boa idéia… Essa enorme diferença no estilo de vida pode tomar muito do seu tempo de adaptação e te causar um bloqueio. Da mesma forma, se você for paulistano, pode ser que morra de tédio morando no interior da Inglaterra.  Para quem surfa toda semana, passar seis meses onde não há praias por perto pode ser difícil demais…

Por outro lado, se experimentar o dia-a-dia de uma cidade grande/ pequena/ sem praia for parte da descoberta que você estiver buscando, atreva-se!

 

  1. Escolha bem a estação do ano

Não menospreze esse “detalhe”! Se você é daqueles que deixa de sair de casa quando está menos de 10 graus Celsius, não invente de ir morar em cidades de clima temperado no inverno! Ainda que os ambientes internos sejam geralmente aquecidos, andar a pé nas ruas será inevitavelmente uma tortura diária para você.

A mesma regra se aplica no verão. Algumas cidades dos Estados Unidos passam de 40 graus Celsius.  Tem certeza de que você quer encarar isso? Cuidado também com as temporadas de chuvas e ciclones.

 

  1. Vai ficar em casa de família? Tem certeza?

Fazer parte de uma outra família por alguns meses pode ser uma experiência fantástica, sobretudo para adolescentes. Conheço pessoas que voltaram para o Brasil com o coração partido por deixar sua “família estrangeira” para traz, e depois de muitos anos, ainda mantém contato com seus “pais e irmãos” importados. Mas antes de fechar um pacote com a agência, certifique-se de que você está pronto para encarar isso. Minhas duas experiências com este estilo de “hospedagem” foram péssimas. Eu não estava em busca de uma experiência familiar em minhas viagens e acho que dei azar com as “mães” que tive. Ter outros adultos, que não tem nada a ver com a minha vida, se sentindo responsáveis por mim, realmente não foi legal. E’ importante dizer que eu já tinha mais de 20 anos nas duas ocasiões…  Para você, isso seria um problema?

 

  1. Evite locais com sotaque muito forte

Se aprender um novo idioma já te parece difícil, imagine tendo que fazer isso onde o sotaque das pessoas não ajuda… Pense bem antes de incluir na sua lista lugares como África do Sul, Irlanda, interior da Austrália, centro dos Estados Unidos e Canadá (para francês).

 

  1. Busque suas comunidades

Se você faz parte de alguma comunidade, seja ela religiosa ou não, recomendo buscar lugares onde haja pessoas como você por lá. Tente se conectar com a sua turma antes mesmo de sair do Brasil. Associações e clubes geralmente acolhem com muita atenção os seus companheiros estrangeiros. Procure Igrejas, Sinagogas, grupos de escoteiros, de artesanato, velejadores, caçadores de Pokémon, seja qual for a sua praia!

 

  1. Cuidado com a faculdade

Se você está pensando em ir para o exterior quando terminar a faculdade, aconselho rever esse plano.  Trancar um semestre (ou um ano), viajar, e depois voltar para o Brasil para terminar seu curso pode facilitar sua vida na hora de encontrar um emprego. Desta forma, você vai conseguir aproveitar ao máximo sua experiência morando fora, sem ter que se preocupar com o que vai acontecer nos próximos meses, quando voltar para o Brasil.

Esta experiência também pode te ajudar a entender o rumo que vai querer dar para sua carreira profissional e, voltar para a faculdade, pode ser fundamental para fazer as necessárias mudanças nos seus planos.

 

  1. Busque congressos ou cursos na sua área durante sua viagem

Por que não aproveitar sua viagem para participar de um congresso ou seminário na sua área? Se seu nível do idioma for, pelo menos, intermediário, por que não fazer um curso profissionalizante? Algumas faculdades promovem cursos noturnos de curta duração. Quando morei no México, fiz um curso fantástico de finanças, em uma das melhores universidades do país, que durou apenas quatro semanas.  Além de dar uma valorizada no seu curriculum, você terá uma oportunidade única de networking internacional, vai aprender sobre coisas interessantes e terá uma experiência diferente. Isso também pode ajudar a convencer seu chefe (ou seu pai) de que essa viagem vale a pena.

 

  1. Cuidado com o orçamento

As primeiras coisas que colocamos no orçamento de um intercâmbio são o custo da escola, da passagem aérea, hospedagem e alimentação, certo?  Mas se você for morar em uma cidade como Atlanta ou Orlando, nos Estados Unidos, terá que acrescentar o aluguel de um carro porque o transporte público não te leva para todos os lados. Mesmo que viva perto da escola, sua experiência será muito limitada se não tiver um carro.

Independentemente da cidade que escolha, pesquise muito e tente detalhar ao máximo seu orçamento. Não deixe de levar um dinheirinho para shows, eventos esportivos, baladinhas, museus, festivais e até mesmo eventos profissionais, como já falamos.

Não gaste todo seu dinheiro com lojas! Acredite, as coisas que você comprar um dia vão acabar. Experimente e descubra! Tudo o que vivenciar ficará para sempre contigo.

 

*Esta foto é do meu primeiro intercâmbio, na Argentina, em 2003.  Esse foi o começo da minha descoberta do mundo.

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Dicas

Um dos melhores segredos do Caribe

Aposto que este lugar você ainda não conhece: Marie Galante, uma ilha francesa que pertence ao arquipélago de Guadalupe. Ela continua sendo um dos melhores segredos do Caribe, com suas maravilhosas praias de areia branca, lagoas azul turquesa e vilas pitorescas. Carros de bois tradicionais levando cana-de-açúcar para as destilarias e moinhos de vento do século 19 dão a impressão de que voltamos no tempo.

Além disso, segundo o povo local, o rum de Marie Galante é o melhor do mundo. Será que é mesmo?

Texto e fotos de Maxo Karukera, nosso amigo do coração, nascido em Guadalupe.

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Outras viagens

Demora 7 segundos para criarmos um preconceito baseado na aparência de uma pessoa

A Coca-Cola fez este experimento social para sua campanha do Ramadan de 2015: Colocou para conversar no escuro seis pessoas que não se conheciam. Vale a pena conferir o resultado.

Esta é, sem dúvida, a melhor propaganda que já vi. Faz quase um ano, e não consigo esquecê-la…

Será que um dia vamos entender que etiquetas são para latas, não para pessoas?

Dicas, Outras viagens

O céu é pra todos, até pra quem mora no fim do mundo

Vi este documentário da HBO dentro do avião, semana passada.

Enoc Fuentes e María Luisa Aguilar se aposentaram e decidiram viver de uma forma bem diferente: viajando em um trailer, ensinando astronomia para as comunidades mais pobres e isoladas do México.

Pelo caminho, além de ensinando, eles também vão aprendendo e transformando as vidas de muita gente. Este foi o caso de Alan, um garoto de 11 anos que, literalmente, caminha quatro horas por dia entre sua casa e a escola. Ele é extremamente inteligente e sonha em ser astrônomo ou geólogo, mas as escolas do seu povoado não oferece nem o segundo grau… Enoc e María se frustram com essa situação e preparam uma surpresa pra Alan.

Ficou curioso? Vale a pena assistir o documentário. Episódio 1 da Série “Heroes Cotidianos”, HBO.

EdX
Dicas

Quer melhorar seu CV? Aperfeiçoar seu inglês? Sugiro fazer um curso grátis na Harvard

Este programa oferece cursos online grátis de algumas das melhores Universidades do mundo como Harvard, MIT, Sorbonne… Há apenas duas opçōes em português, mas diversas em inglês, espanhol, francês, etc.

É também uma ótima oportunidade pra conhecer pessoas que moram em outros países (networking) e aperfeiçoar seu vocabulário. Porém, não recomendo pra quem ainda está começando a aprender o idioma.

Quer saber mais? Confira: https://www.edx.org/course

 

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Dicas

Seis coisas que aprendi trabalhando fora do Brasil

Vivendo e trabalhando no exterior por quase 10 anos, aprendi algumas coisas que gostaria muito que alguém tivesse me dito antes. Se você mora fora ou tem a intenção de imigrar, espero que estas dicas te ajudem.

1) Colegas podem ser amigos de verdade

Fica difícil de aplicar aquela regra de não misturar amizade e trabalho quando todos os seus conhecidos estão em um outro país… Pense bem. Você passa a maior parte do seu dia na empresa e não conhece quase ninguém na cidade. Encontrando um colega gente boa, por que não começar uma amizade? Se ele for nativo da cidade pra onde você mudou poderá te dar altas dicas e te fazer descobrir de verdade a cultura local. Se for de fora, vocês já tem pelo menos duas coisas em comum: trabalham juntos e estão longe de seus velhos amigos.

Baseada em nossa experiência, a forma mais fácil de fazer amizades no exterior é começando com as pessoas que conhecemos na empresa onde trabalhamos. Guardo no coração muitos colegas que encontrei por esse mundo.

2)  As empresas vão te contratar pelas suas habilidades e sua experiência, não pelo seu inglês (ou francês, espanhol, alemão…) .

Como assim? Posso conseguir um emprego na minha área mesmo sem falar o idioma do país nem inglês? Não, não pode. Você precisa conseguir se comunicar, ou seja, entender e falar. O que quero dizer é pra que você não se preocupe demais se o seu conhecimento for limitado ou se seu inglês não for per-fei-to. Tendo outras qualidades que possam agregar valor pra empresa, não deixe que sua falta de confiança no idioma lhe impeça de brilhar. Vi muita gente perdendo oportunidades por menosprezar seus talentos… Candidate-se para vagas ou projetos da sua empresa no exterior se você acredita em seu potencial. Claro, continue sempre buscando formas de melhorar o idioma. (tema do próximo post). Fui clara ou ainda está confuso?

3) Sua vida pessoal não deve ser revelada em uma entrevista

Nós brasileiros colocamos no currículo nossa idade, se somos casados, se temos filhos etc. Alguns vizinhos latinos também têm esse costume. Mas tome muito cuidado se for trabalhar por outros lados, sobretudo em países Anglo-saxônicos. Em uma entrevista de emprego, não cometa o erro de começar a contar anedotas sobre seus filhos ou mencionar que mudou de emprego porque seu marido foi transferido de cidade. Seja criativo (ou mentiroso?), mas não vincule demais sua vida pessoal com a profissional.

4) Não importa onde você fez faculdade

Se você já tem experiência profissional, isso vai ser muito mais relevante do que a sua formação acadêmica. Por mais que a Internet seja uma excelente fonte de informação, os recrutadores não vão perder tempo tentando descobrir se a faculdade onde você se formou era TOP ou se era menos prestigiosa. Caso você faça mesmo questão, pode mencionar em seu currículo o status que sua escola tem, mas não sei ate que ponto isso é visto como arrogante ou inapropriado.

Vale destacar que estou falando de carreira corporativa, nada acadêmico ou científico. Acredito que a avaliação seja bem diferente para professores e pesquisadores.

5) As diferenças culturais existem e precisam ser respeitadas

Durante minha primeira semana de trabalho na Alemanha, eu passei várias horas com um rapaz do departamento de informática, instalando meu computador, celular, crachá etc. No final da tarde da sexta-feira, uma outra funcionária chegou perto dele e disse “Alles Gute zum Geburtstag” (feliz aniversário). Ele disse “Vielen Dank” (muito obrigado), sorriu e voltou a trabalhar. Ao escutar que era o aniversario dele, minha reação foi dar um abraço no garoto e me desculpar porque eu tinha passado o dia todo com ele e ainda não o tinha cumprimentado. Vocês podem imaginar o que aconteceu? O alemão ficou vermelho, sem se mexer, e todo mundo no escritório ficou olhando pra mim com cara de “O que essa louca está fazendo? Ela mal conhece e já está agarrando o menino!”. Quando percebi que fui longe demais com meu calor brasileiro, já era tarde. Deveria ter observado melhor e feito como a outra moça fez…

Não faça como eu. Não saia abraçando seus colegas alemães. Pesquise sobre as diferenças culturais entre o Brasil e o país pro qual você está indo. Acredite, isso é muito importante. Por exemplo, investigue se as pessoas chamam o chefe pelo primeiro nome ou de “Mr./ Mrs.”. Descubra se todo mundo cumprimenta os colegas de manhã quando chegam na empresa, ou se começam a trabalhar imediatamente. Existe uma cultura machista? É importante almoçar com os colegas? É aceitável chegar 2 minutos atrasados em uma reunião?

Recomendo este site: http://geert-hofstede.com/countries.html

6) Valorize os privilégios que os funcionários brasileiros têm

Fundo de garantia, 13o salário, seguro desemprego, 30 dias de férias, aviso prévio, licença maternidade, plano de saúde particular, vale refeição… Você não vai encontrar esses benefícios em muitos países.

Nos Estados Unidos, 10 dias de férias é considerado um “padrão aceitável”, mas não há leis que obriguem as empresas a oferecerem isso. No México, férias remuneradas também são um privilegio.

Acha que quatro meses de licença maternidade não é justo? A Europa e a Austrália têm programas muito bacanas, mas se você quiser viver o sonho americano vai encontrar uma situação bem diferente… Empregadores dão 45 dias de licença maternidade não remunerados. Se a mulher precisar parar de trabalhar alguns dias antes do parto, estes já começam a ser descontados dos 45 dias. Por isso, a mulherada aqui trabalha até a bolsa estourar (literalmente)! Para estar segura de que a empresa vai guardar seu emprego, você deixa seu bebê de menos de dois meses na creche (privada, nada grátis) e volta pro batente com os seios cheios de leite (ou não), o coração na mão e cheia de dívidas. Algumas mães acabam pegando férias ou conseguem um acordo de licença não remunerada por mais alguns dias (foi o que eu fiz), mas este não é o padrão.

Por isso, pense bem se você quer mesmo ir embora do Brasil. Nosso país não tem só coisas ruins…